SEMINÁRIOS E FALATÓRIOS

SóPapos 2013

Resumo

Situação: Publicado pela NovaMente Editora, RJ, 2016.

 

Continuando a série dos SóPapos – “conversas aleatórias com companheiros agoraqui mais ou menos interessados, deixando correr os papos no aleatório, mas sem jogar conversa fora” –, este livro transcreve a fala de MD Magno durante 2013. São muitas as conversas nos quinze encontros desse ano, além das sete conferências introdutórias proferidas na Universidade Candido Mendes, publicadas em volume separado.

Tomemos, por exemplo, o que o autor reitera quanto à Teoria das Formações que ele vem desenvolvendo desde os anos 1990. Ela é o denominador clínico comum para as demais teorias da NovaMente: a Gnômica (teoria do conhecimento), a Transformática (da comunicação), os Cinco Impérios (da cultura), a Est’Ética (da arte), a Diferocracia (da política), a Economia Pulsional (da economia), a Pedagogia Freudiana (da educação), o Poder das Formações (do poder), a Patemática (da clínica)... A Teoria das Formações considera tudo que há como Formações do Haver – que são fatos, e não interpretações (estas, aliás, também são fatos) –, a serem abordadas segundo a transa em que estão imersas, e não a partir de relações entre sujeito e objeto.

A postura clínica da NovaMente, nome dado à reformatação da psicanálise que Magno promove nos anos 1980, é a mesma que sua postura ética. A ética desta psicanálise é a da constante tentativa de Indiferenciação, o que inclui as éticas freudiana (referida ao Édipo) e lacaniana (a Antígona). Sem indiferenciação, não se escuta: “Se não trocarmos de ouvido, nada ouviremos. Como as pessoas querem escutar com os próprios ouvidos, só escutam a mesma coisa”.

Outro tema tratado é a separação entre as competências da língua e a estrutura do Inconsciente. Diferentemente de Lacan, para quem “o Inconsciente é estruturado como uma linguagem”, essa linguagem – que ninguém descreve, aliás – é da ordem do bífido, e não da ordem das línguas, que são decadentes, só sabem falar tomando um lado da oposição. Então, se Lacan pensa que o Inconsciente funciona como uma linguagem e se aproveita da língua como exemplar, o Inconsciente como bífido, só aparece na língua quando ela escorrega: na poesia, na obra de Joyce...

Além desses, o leitor acompanha a originalidade de Magno ao tratar de vários outros temas e conceitos: pulsão, estruturalismo, genética/epigenética, Recalque, Haver/Ser, denegação, instituição psicanalítica, Brasil (patrimonialismo, vira-lata), sociedade/estado, a dispersividade do gênero (“gênero é aquilo que você inventa na hora que quer”)...


Sumário

1, 1

Anterioridade da Bifididade em relação à oposição – Estrutura bífida da linguagem e regime opositivo das línguas – Distinção entre oposição vetorial na Bifididade e variação quantitativa de gradientes sintomáticos – Revirão como competência e deslizamento linguageiro como performance.

2, 9

Diferenças e aproximações entre as perspectivas clínicas freudiana, laca­niana e da NovaMente – “A língua que o Inconsciente fala é o pornuguês”.

3, 12

Comentários sobre o texto “Da linguística à linguisteria”, de Jean-Claude Milner – Esclarecimento sobre a ideia de “retorno de Freud” na NovaMente – Apropriação do dito emersoniano “Nature is language” para a ideia de linguagem segundo a NovaMente.

4, 18

Continuação dos comentários sobre o texto “Da linguística à linguisteria”, de Jean-Claude Milner, com destaque para a relação Lacan-Wittgenstein – Considerações sobre a proposição lacaniana de que “não há metalinguagem”.

5, 29

Relação entre Instituição e Perversidade Social – Análise sintomal da ideia de instituição: referência ao Creodo Antrópico – “A constituição institucional é neurótica” – Segundo Império se estatui sobre patriarcalismo como ideia hege­mônica na organização institucional – Burocracia é regime de perversidade social.

6, 34

Administração institucional está a serviço da Formação do Psicanalista, e não o contrário – Instituição psicanalítica depende de transferência, que é dissimétrica.

7, 38

Fundação patriarcal do patrimonialismo – Característica de emergência de Quarto Império: função analítica exercida à revelia de analista nomeado; perda dos parâmetros e fundamentos do conhecimento; dispersividade do gênero – Instituição psicanalítica é exercício de e para a Diferocracia.

8, 41

Relação sociedade/estado do ponto de vista psicanalítico – Três níveis de instalação de referência: nomeação (dependente de transferência), apropriação e titulação (regime de Estado).

9, 46

Instituição psicanalítica é lugar terceiro entre nomeação e titulação – Comen­tários sobre a ideia lacaniana de passe à luz da questão da instituição – Família é instituição estatal – Noção de titulação na universidade – Crítica à ideia de estado em Pierre Clastres – Fanatismo é hipóstase retrogressiva de transfe­rência – Comentários sobre nomeação, apropriação e titulação na história da psicanálise.

10, 63

Lembretes da teoria psicanalítica NovaMente – Esclarecimentos sobre as ideias freudianas de Verdrängung (recalque), Verneinung (denegação), Verleu­gung (renegação) e Verwerfung (foraclusão).

11, 66

Morfoses e sua correlação com a Teoria das Formações – Morfose Esta­cionária, Progressiva e Regressiva a partir do Revirão – Apoio jurídico da tradução lacaniana de Verwerfung como foraclusão – HiperRealque é negação + clausura (sonegação) – Primário e Secundário: mesmo processo de recalque com gradientes diferentes.

12, 81

Relação entre Perversidade e Morfose Progressiva – Formações da Patemática independem da relação Metanoia/Paranoia.

13, 85

Tanatose se apresenta como melancolia em gradiente positivo e negativo – Teoria NovaMente é melancólica e gnóstica – Questão sobre gradientes no autismo e na melancolia.

14, 87

Reconhecimento do Primário autossomático e etossomático como força recal­cante dada – Esclarecimento sobre a concepção de tecnologia para a NovaMente.

15, 91

Instituição psicanalítica e a necessidade de exercício diferocrático.

16, 93

Função dos Grupos de Formação (um dos quatro dispositivos da Formação do Analista): exposição da situação analítica atual e da disposição postural de cada um.

17, 96

Análise das formações e a exemplaridade da análise morfológica musical.

18, 99

Positividade do sintoma vira-lata para formação Brasil; viés (antropo)fágico e maneirista do vira-lata; o sintoma do mazombismo.

19, 106

Testemunhos da patologia, da filosofia e do pensamento oriental sobre a percepção do Haver; tipos de hipocondria: sensitivas e delirantes; tipos de hipocondria sensitiva: positiva e negativa; Artaud e o corpo sem órgãos como exemplar de percepção do Haver como pura presença; Espinosa é o inventor da modernidade; corpo sem órgãos é o Haver enquanto tal.

20, 114

Sobre Anísio Teixeira.

21, 115

Crítica da terminologia psicanalítica pregressa: perversão, psicose, nome do pai; confusão entre os níveis simbolizante e simbolizado da metáfora; confusão entre polimorfia sexual e perversão; autismo não é morfose.

22, 121

Proposição do conceito de Autarcia; autarcia comparece funcionalmente em Morfoses Progressivas, Estacionárias e Regressivas.

23, 130

Políticas ad hoc são anti-partidárias e anti-ideológicas; pensar a política contemporânea a partir de esquemas vetoriais; equilibração entre os vetores liberais e os de esquerda.

24, 134

Os estudos históricos sobre o Inconsciente de Henri F. Ellenberger; algumas condições para a eficácia da magia.

25, 137

Neguentropia é emergência de Quebra de Simetria.

26, 139

Pulverização dos conhecimentos na situação contemporânea; Gnômica e o uso ad hoc dos conhecimentos.

27, 141

Posição de indiferenciação nas oposições do Inconsciente em Freud.

28, 142

Valor das Tópicas pregressas da psicanálise; releitura da Tópica freudiana: Inconsciente = O Articulatório; Pré-consciente = O Bífido; Consciente = O Binário.

29, 147

Tópica NovaMente aplicada à linguagem: competência secundária ou arti­culatória, desempenho pré-linguístico ou bífido e desempenho linguístico ou binário; o erro (cartesiano) de Chomsky.

30, 149

Haver havente e o Haver havido; Gnômica é pulverização radical do conhecimento.

31, 152

Inconsciente como puro processo articulatório afirmativo; pedagogia de modus vivendi da psicanálise.

32, 156

O problema da imanência transcendente de Deus em Espinosa; para Nova­Mente, Deus é o ponto G do Haver.

33, 164

Competências e entraves para o dispositivo da Oficina Clínica.

34, 167

Necessidade de aparelho de referência para operar clinica e teoricamente.

35, 168

Teoria das Formações é denominador clínico comum para entender as demais teorias da NovaMente: Gnômica, Transformática, Cinco impérios, Est’Ética, Diferocracia, Economia Pulsional, Pedagogia Freudiana, Poder das Formações.

36, 171

Teoria das Formações exige conceito de Pessoa descentrado; Pessoa é: pulve­rização e polarização de formações.

37, 180

Teoria das Formações é a efetiva microfísica do poder; recomposição da defi­nição de poder: “competência que tem uma formação de exercer sua pulsiona­lidade contra outras formações”.



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