SEMINÁRIOS E FALATÓRIOS

Marchando ao Céu

Resumo

Marcel Duchamp / Marchand du Sel

Local: EAV - Escola de Artes Visuais do Parque Lage
Situação: Inédito. Perdeu-se o lote das fitas gravadas das seções deste Seminário.

Resumo

Embora sem registro, este é um Seminário essencial no percurso do autor. Na terceira seção de seu Seminário de 1990, Arte & Fato, diz ele:

"Marcel Duchamp teve grande influência em tudo que trabalhamos. A invenção do ready-made, ele a tomava como uma desumanização da arte. A escolha que fundava o ato de designação de um ready-made, ele a produzia por indiferença sexual. Ele dizia: ‘indiferença visual’. É a mesma coisa: não por nenhum deleite estético, mas por ‘ausência absoluta de bom gosto ou de mau gosto’. O que Duchamp vai destacar, em última instância, é a pulsão narcísica como indiferenciante. O que chega a rimar um pouco com o que Gaston Bachelard chamava de ‘narcisismo cósmico’. O que Duchamp, com esses atos poéticos, queria provocar, era: abolir distinções. Por exemplo, entre natureza e cultura; o artista e o profano; a arte e a vida; a ciência e a não-ciência. De certo modo, bastante parecido com algumas instâncias da reflexão de Empédocles.

A chamada psicanálise francesa simplesmente não existiria sem a presença do surrealismo. Antes ainda que a França se desse conta de Freud, apesar da princesa Marie Bonaparte, no sentido da própria psicanálise, de teorias psicológicas, etc., é através de artistas, poetas, pintores de índole surrealista que Freud é tomado como paradigma para a distinção do que fosse ato poético e obra de arte. O próprio Lacan, nessa época muito jovem, nasceu dentro do movimento surrealista... [...]

Não é por outro motivo que cheguei a me interessar por Lacan: porque antes já me interessara por essa outra questão. Em 1977, estávamos habitando a Escola de Artes Visuais, do Parque Lage (...) quando era diretor Rubens Gerchman... Nessa ocasião, fiz um Seminário intitulado Marchando ao Céu, por um arranjo fonológico com Marchand du Sel, o mercador, o vendedor do sal, que era um dos pseudônimos que Marcel Duchamp se dava, trocando as sílabas de seu nome. Fiz este Seminário dentro da questão da psicanálise. Foi uma pena que, quando saímos do Parque Lage para uma sede particular, o conjunto das fitas gravadas se tenha perdido. Isto é um peso na história do meu Seminário, pois quer me parecer, hoje, que sua falta na série criou uma série de mal-entendidos. Estivesse ele na listagem dos Seminários publicados, as pessoas não teriam feito tanto mal-entendido sobre certas posições em que insisto e que desde então lá estão presentes e esclarecidas".

Potiguara Mendes Silveira Junior



Voltar