SEMINÁRIOS E FALATÓRIOS

A Música

Resumo

Local: Auditório do Edifício Cidade do Leblon
Situação: Publicado pela Aoutra Editora, RJ, 1986, 2a ed.

Freud não gostava de música? É o que dizem – mas sem levar em conta que um músico, fazendo a sua própria música, não pode, ao mesmo tempo, aturar outra música sem prejudicar a sua com tal interferência intempestiva.

O Seminário de MD Magno – no Colégio Freudiano do Rio de Janeiro, em 1982 – trata dessa música trazida por Freud. Qual a relação do musical com a letra? Será que o Inconsciente é musical no núcleo de sua estrutura mínima?

Para o autor, A MÚSICA é a máquina fundamental do Inconsciente, o cerne da linguagem – Revirão, reviramento do Sujeito no trajeto de uma superfície sem avesso. Sobre essa superfície, dita não-orientável, é postulado um ponto-bífido, sexuado a cada movimento de sua secção. E com as conseqüências que isso possa ter.


Sumário

1 – 10 Mar: Alegria! Alegria!
Considerações sobre os conceitos de Real e Repetição (Wiederholung) – Recusa da incompatibilidade entre Música e Psicanálise – Música: articulação entre biológico e meta-psico-lógico freudiano.

2 – 17 Mar: Sexus, Plexus, Nexus: Lexics 
Psicanálise é ascese – Processos de condensação e deslocamento do inconsciente: sexus(partição), plexus (aglutinação), nexus (junção) – Apropriação lacaniana da lingüística: algoritmo saussureano e metáfora e metonímia (Roman Jakobson) – Nome do Pai e metáfora (lexics) – Aproximação entre processo primário em Freud e simbólico (metáfora/metonímia) – Dimensão hiperbólica, simbólica e diabólica da máquina inconsciente – Exigência de reciprocidade entre metáfora e metonímia – Processo primário é A Música – A Música é condição da linguagem.

3 – 31 Mar: A letra da música
Princípio do prazer no vivo e no inconsciente – Fatura: terceiro termo entre Natura e Cultura – Apontamentos sobre O Seminário, livro 3 (As Psicoses), de Jacques Lacan – O que pode ser significante puro – Distinções entre significante e letra – Instância da letra no vivo e no inconsciente.

4 – 07 Abr: A música da letra
Precedência da Música sobre a letra – Relações entre alíngua, letra e música – Duplo aspecto da letra: coalescência de significação e des-significação (música) – Estatuto da metáfora para a psicanálise – Organograma do funcionamento do Princípio do Prazer no vivo e no falante – Aproximações entre a lógica de Spencer-Brown e a lógica da sexuação – Diferença sexual como pura indiferença.

5 – 21 Abr: Libertas quae sera...
Falo como sintoma originário do falante – Condição significante do corpo para a psicanálise – Desdobramentos do organograma do Princípio do Prazer – Princípio de Constância e Princípio de Inércia no falante – Monomorfismo genético (Edward Wilson) e polimorfismo genético (Jacques Ruffié) – A Diferença subverte o modelo biológico e de cultura.

6 – 28 Abr: Os energúmenos
Energia em psicanálise é articulação significante – O energúmeno do simbólico e o problema da psicose – Vertente paranóide (vontade de significação) do uso da língua – Uma música se afasta da significação – Pressão à significação na alíngua – Psicose como hiper-vontade de significado – Sublimagem é retorno à Música.

7 – 12 Mai: Escherichia coli
A Música é o fundamento da perversão – Níveis de perversão: versatilidade, perversão e perversidade – Perversão originária do falante: versatilidade do significante – Relação entre níveis de perversão e Diferença sexual – A matemúsica é a operação que tem como referência a Música.

8 – 19 Mai: Máquina-ímã
Etimologias da Máquina-ímã – Elementos de construção da renegação originária (Verleugnung) em Freud e Lacan – Esquemas do Seminário O Pato Lógico sobre versatilidade, perversão e perversidade a partir da lógica de Spencer-Brown – Nível da renegação como articulação da Diferença sexual no falante – Modalização da renegação na perversão: perversão e perversidade– Reafirmação da especificidade do sintoma perversista – Modalização da renegação na neurose – Especificidade neurótica do sintoma fóbico.

9 – 02 Jun: Introdução à matemúsica – 1
Estatuto da Matemúsica – Gozo-fálico, gozo-do-Outro e $entido – Castração e fórmulas quânticas da sexuação – A lógica de Spencer-Brown aplicada à função fálica – Reviramento na posição feminina e a condição paradoxal do falante.

10 – 06 Jun: Introdução à matemúsica – 2 (A chã psicanálise ou o ICS de A a Z)
Comparações entre o pensamento Zen e a psicanálise – A psicanálise é charneira entre Oriente e Ocidente – Equivocação e Revirão – Discussão do estatuto dogmático do pensamento Zen – Psicanálise como trapaça.

11 – 23 Jun: Há pólo de lira no desejo de Baco
Lugar da psicanálise é terceiro relativamente às distinções – Mito de Apolo e Dionísio como as duas faces do Nome do Pai (binômio Lei/Desejo) – Face duplamente unária do significante dissolve as dicotomias.

12 – 11 Ago: O halo, o alelo
Elementos da estrutura de corte do significante: (h)alo e alelo – Topologia do corte na banda de Moebius – Reconsideração da definição matemática de ponto não-orientável – Proposição doponto-bífido – Lógica do ponto-bífido: reviramento do significante – Para a psicanálise a razão do conhecimento é Artifício.

13 – 13 Ago: O alelonauta
Operação analítica é escansão – Lei (Lei-da-Diferença) é fundadora dos enunciados legais – Estatuto da Lei esclarece a questão da servidão – Reflexões sobre a prática analítica a partir doreal como impossível – A praxis do analista é sua política.

14 – 25 Ago: A quadratura da língua
Acrescentamento à lógica de Spencer-Brown: indicação sem distinção – Orientação sobre o não-marcado original corresponde à articulação do falante – Aplicação da lógica de Spencer-Brown à contrabanda: entendimento do ponto-bífido – Interlocuções entre a lógica de Frege (série numérica) e a constituição do ponto-bífido (estrutura do revirão) – Paralelogramo da seriação significante: máquina metaforonímica – Quadratura da língua ou processo primário (A Música).

15 – 18 Set: A pauta dos discursos
Máquina metaforonímica a partir dos lugares do quadrípode de Lacan – Estatuto da Linguagem – Dissimetria da linguagem como sintoma primordial do falante – Dissimetria como Lei – Impossível se semi-diz como proibição – Momentos lógicos do processo primário: rombo (foraclusão), sutura (recalque) e retorno do recalcado – Quadrípode de Lacan como máquina metaforonímica.

16 – 22 Set: A sacra ação da prima Vera
Conferência de Antônio Sérgio Mendonça: O Amor Cortês

17 – 20 Out: Terez, de ávida, a-mor-te gozar
Apresentação do soneto Chega de amor – Santa Tereza e a experiência mística – Bate-papo sobre amor, gozo e fantasia – “A psicanálise não vem fundar nenhum amor” – O místico invoca a morte.

18 – 03 Nov: Ir-s
Apresentação de Sometos de Omor – Conjeturas e refutações sobre ciência e psicanálise – Exemplo de conjetura científica: tese do polimorfismo genético de Jacques Ruffié – Modo de operação da psicanálise é ato poético.

19 – 17 Nov: Magnifica-te
Desdobramentos da lógica do Heteros de Lacan – Aproximações entre o Tao e o ponto-bífido – Alelismo do yin / yang – Um poema à maneira chinesa – Há revirão quando há ato analítico.



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