SEMINÁRIOS E FALATÓRIOS

Economia Fundamental, MetaMorfoses da Pulsão

Resumo

Este livro, que transcreve o Falatório 2004 de MD Magno, trata da operação que Freud chamou de “economia das forças nervosas” quando nela se inclui a noção de quantidade. Isto, no sentido de reforçar que Freud tinha ambição de pensar mais o comum dos acontecimentos psíquicos do que a nosologia, esta sendo apenas o caminho para pensar como funcionamos. 
 
Partindo de que “a base sobre a qual repousa a sociedade humana é, em última análise, de natureza econômica”, como diz Freud, a proposta de Magno é pensar sobre a Economia Pulsional, que constitui o fundo de toda a Psiconomia – nome que ele já sugerira para a psicanálise –, para depois retornar com mais recursos às formações progressivas, estacionárias e regressivas (anteriormente chamadas de nosológicas) presentes na lida com a clínica.
 
O foco está numa Economia Fundamental, reconfiguradora da Clínica como Economia das Formações no Mercado Pulsional. Nela vigora um Pensamento Perplexo, que valoriza a Indiferença, o Inumerável, e apregoa que a diferença e a multiplicidade, características do chamado pensamento complexo, se tornam aceitáveis e acolhíveis de fato só depois da Indiferenciação. 
 
Falar em economia é considerar as composições do poder. Lacan já dissera que o inconsciente é capitalista, mas agora trata-se de partir de que o Haver é capitalista, pois o Inconsciente, para Magno, é o que se passa entre Haver e não-Haver. Será, pois, no contexto da Economia e do Inconsciente Capitalista que serão abordadas: a questão (trazida por Jean-Claude Milner) sobre os judeus e a democracia na Europa, aqui vista sob a ótica do Creodo Antrópico (conceito de 1995); as noções de alienação, apropriação e mais-valia, que se mostram dependentes do conceito de Transferência; os quatro tempos – composição, estatuação, catásfrofe e ruína – das Morfoses Regressivas (antes chamadas de psicoses), cujo efeito tem sido a generalizada difusão do processo de regressão sustentada, ou hipóstase firme, na vida das pessoas...
 
Sobretudo, é neste livro que o autor dá inicio à investigação direta dos conceitos de Pessoa e de Eu como formações constituídas de Primário, Secundário e Originário, e definidos como rede dotada de pólos, cada qual com uma região focal e uma região franjal infinita. Investigação esta que continuará nos anos subseqüentes com precisões importantes e necessárias, uma vez que as idéias de indivíduo e sujeito têm se evidenciado cada vez mais insustentáveis no mundo contemporâneo.
 

Sumário

01 – 03/ABRIL
Economia é consideração das composições do poder – Proposição de um Pensamento Perplexo e seu contraste com o Pensamento Complexo – “O Inconsciente é o (re)fluxo do Mesmo” – Economia Pulsional fundamenta qualquer economia – Crítica à abordagem lacaniana da questão econômica.
 
02 – 17/ABRIL
Comentários a propósito do livro Les penchants criminels de l’Europe démocratique, de Jean-Claude Milner – Consideração da tese milneriana sobre as relações entre a democracia européia e os judeus – Distinção entre modo de produção e modo de instalação de um Império no Creodo Antrópico – Produção e instalação do Primeiro, Segundo e Terceiro Impérios – Hipótese da produção romana do Terceiro Império e sua instalação cristã – Dificuldades de instalação do Quarto Império.
 
03 – 08/MAIO
Nova Psicanálise é tentativa de introdução do Quarto Império – Economia Fundamental é anterior à economia política – Na morfose estacionária a relação com as formações do Haver é indireta – Equivalência entre transferência e alienação – Ato de apropriação depende da função Poder – Perversão é relação direta com as formações do Haver – A produção de um Império é função de não-alienação e sua instalação é necessariamente religiosa – Trabalho é aplicação de força pulsional a uma formação – Crítica ao conceito marxista de mais-valia à luz do conceito freudiano de só-depois.
 
04 – 22/MAIO
Razões de o pensamento de Lacan ser terminal – Consideração das teses de Jean-Claude Milner no livro Les penchants criminels de l’Europe démocratique – Crítica às conclusões lógico-políticas de Jean-Claude Milner extraídas do uso das fórmulas quânticas de Lacan – Democracia e diferocracia a partir das fórmulas quânticas.
 
05 – 05/JUNHO
Diferocracia se sustenta logicamente na fórmula do sexo resistente – Análise da economia e da política à luz da lógica do Consistente e do Inconsistente – Regime consistente e inconsistente do capitalismo – Movimento do capital e da tecnologia é compatível com a lógica resistente e com o Quarto Império.
 
06 – 12/JUNHO
Utilidade das teses de Pierre Janet (inadimplência) e Sigmund Freud (culpa) para a Economia Pulsional – Clínica como economia das formações no mercado pulsional – Entendimento da lógica de valor de troca e valor de uso para a Idioformação – Ordem generalizada do mercado no mundo.
 
07 – 14/AGOSTO
Quem é Eu?: indagações preliminares sobre o que é língua, autor, personagem e personalidade – Exemplaridade da falência do sujeito em Drawing Hands, de Escher – Eu é pólo de formações com foco e franja – Ego é pletora de formações primárias e secundárias sem HiperDeterminação – Equivalência entre Eu e Pessoa – Diferenças no entendimento do conceito de Pessoa segundo o personalismo e a Nova Psicanálise.
 
08 – 21/AGOSTO
Pessoa é processo sem sujeito e em regime de unilateralidade – Tratamento nominalista do sujeito e significante lacanianos – Condição nominalista do não-Haver como nome do impossível absoluto desejado – Distinções entre a postura inclusiva da psicanálise e a postura de exclusão da filosofia – Característica comunal do conceito de Pessoa.
 
09 – 28/AGOSTO
Equivalência do conceito de Pessoa à idéia de rede – Problematização da idéia de corpo a partir do conceito de Pessoa – Importância do conceito de sobredeterminação para considerar a questão evento-escolha – Pessoa inclui suposição de mestria e poder – Problematização recíproca das afirmações “a morte não há” e “a morte é certa”.
 
10 – 04/SETEMBRO
Indivíduo resulta de ato de discrição – Querela dos universais e o conceito de Revirão – A coisa do Primário e a coisa do Secundário – Lógica da trindade nos registros de Primário, Secundário e Originário – Pessoas gramaticais e o nó borromeu – Primário, Secundário e Originário pensados a partir do nó borromeu.
 
11. 18/SETEMBRO
Trindade divina como o processo de geração interna ao Haver – Trialética do Dono, do Escravo e do Mundo – Psicanálise é performance de Ator – Psicanálise e a perene suspensão e suspeição de seus construtos – Aparelho Haver desejo de não Haver é auto-dissolvente e auto-destrutivo – Analista é de Arreligião e Arreligioso.
 
12. 25/SETEMBRO
O que os analistas poderiam aprender com o credo poético de Rimbaud – Crítica a pseudo postura dos analistas – Preço da reposturação – Teoria da produção do analista e aparelhos de reconhecimento.
 
13. 09/OUTUBRO
Denegação presente nas construções elegantes – Formulação do Nome do Pai é uma construção elegante dispensável para o entendimento da psicose – Psicose resulta de HiperRecalque – HiperRecalque e o movimento regressivo nas morfoses regressivas – Eu (ou ego) é definido como Pessoa – Conceito de Pessoa como pólo focal e franjal de Primário, Secundário e Originário – Democracia é uma violência lógica e uma violência política – Millor Fernandes, a denegação do preconceito e a condição moral.
 
14. 16/OUTUBRO
Século 21 e o lema too late – Espécie humana jamais conseguiu gerir seu repertório a tempo – Parque Humano de Peter Sloterdijk é Hospício para psicanálise – Exemplaridade do HiperRecalque em Estamira – Espécie é retardada em relação aos efeitos de seus movimentos.
 
15. 23/OUTUBRO
Imbecilidade humana é conjunto das Morfoses somadas à posterioridade do sentido e ao conatus das formações – Estupidez e o conceito de só-depois de Freud – Personagem do Homem Aranha como exemplar da mudança de paradigma no século 21 – Homem como IdioFormação secretou o Globo como teia – Personalidade é reconfiguração de uma Pessoa.
 
16. 06/NOVEMBRO
Infernar Pessoas – Exercício da Indiferença é único céu consecutível – Redefinição do conceito de Personalidade – Hipótese mental de um Caminho do Meio é Revirão – Anti-budismo de Lacan – Reconsideração dos temas da culpa e da vergonha – Indiferenciação é condição de renúncia – Psicanálise depende de gnoseologia.  
 
17. 13/NOVEMBRO
Perguntas sobre o Caminho do Meio – Distinção entre loucura e patologia – Dinâmica do HiperRecalque nas Morfoses Regressivas – Questões sobre a Morfose Progressiva.
 
 
18. 27/NOVEMBRO
Homogeneidade do Haver é diferente do Deus sive Natura de Espinosa – Teoria do Pleroma e achados recentes da cosmologia – Os Quatro Tempos das Morfoses Regressivas: Composição, Estatuação, Catástrofe e Ruína – Morfose Regressiva na história – Império Romano como caso exemplar de Catástrofe – Distinção entre Morfose Progressiva e Morfose Regressiva é vetorial – Recusa como formação clínica – Osama Bin Laden e o século 21.
 


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