SEMINÁRIOS E FALATÓRIOS

Velut Luna

Resumo

A Clínica Geral da Nova Psicanálise

Local: UnivercidadeDeDeus (1° semestre) e Auditório do CFCH - Centro de Filosofia e Ciências Humanas (UFRJ) (2° semestre)
Situação: Publicado pela NovaMente Editora, 2000.

O que a psicanálise produziu como Teoria pode ser o desenho de uma organização universal da mente? E o que tem praticado como Clínica é ainda viável no mundo contem­porâneo onde tudo se deteriora com rapidez?

São perguntas de MD Magno ao conti­nuar neste Seminário a reforma­tação da psicanálise que vem reali­zando desde a década de 1980.

Suas respostas se desenvolvem mediante avanços concei­tuais originais como o aparelho dosCinco Impérios, que abre uma perspectiva propriamente psicanalítica de entendi­mento do ‘cami­nho neces­sário’ dos desempenhos culturais de nossa espécie em seu perene movi­mento de busca de maior abstração. Ou como a retomada da questão da Ética da psicanálise para situá-la na Viagem que a Clínica propicia no sentido de, para além das determinações e sobredeterminações, fazer relembrar a HiperDeterminação que nos afeta radicalmente. A ética possível, à qual nada obriga, é a “polética de retorno”: oferecer de bandeja aquilo que se colhe desta viagem ao Cais Absoluto de nossa afetação.

Esta “polética da volta ao retorno do recalcado”, ou “polética do Revirão”, é, aliás, a primeira das três indicadas por MD Magno a partir de “uma ética única de vetor único da psicanálise”. A segunda é a “polética do Falanjo”, ou da “indiferenciação pura e simples” – tanto sexual quanto qualquer outra –, que justamente permite a política do reviramento. A terceira é a da “heurística permanente” em qualquer nível de recalque: viabilizar ao máximo os artifícios industriais que são típicos de nossa espécie.

Podemos ainda acompanhar no decorrer do livro a precisão do questionamento e da reflexão do autor sobre temas como: realidades virtuais, sujeito, inconsciente, tempo, verdade, o trágico, o herói... É a infinita “faxina” exigida pela psicanálise como campo espe­cífico de conhecimento e ação que enfrenta com força própria os tempos de hoje, em que as sombras, tal qual a lua em eclipse, insistem em obscure­cer o mundo.

Sumário

1 – 10 Mar: Nossas realidades virtuais
Reconsideração da postura clínica da psicanálise diante do processo geral de deterioração –Velut Luna como imagem de hiperdeterminação – Hiperdeterminação como referência última de cura – Manejo da ordem primária e secundária a partir da hiperdeterminação – Proposição de dois níveis de realidade virtual: efetiva e em reserva.

2 – 24 Mar: Deontos?
Validade do enunciado lacaniano “não abrir mão do seu desejo” – Na referência à ALEI é impossível abrir mão do desejo – Entendimento do regime de culpa e inocência no cumprimento d’ALEI – Assimilação contemporânea da ética ao exercício superegóico do sintoma – Clínica Geral exige projeto deontológico baseado no Revirão.

3 – 14 Abr: Anamnese
Exigência de anamnese no processo de cura – Comparação entre taoísmo e confucionismo segundo René Guénon – Exemplaridade de taoísmo e confucionismo no entendimento da referência à hiperdeterminação e à Clínica Geral – Esclarecimentos sobre o sentido de anamnese – Apresentação do esquema de vinculações na história do pensamento: AMÃE, OPAI, OFILHO, OESPÍRITO e AMÉM.

4 – 28 Abr: AMÃE... AMÉM
Referência estritamente primária na religião d’AMÃE – Na religião d’OPAI referência é passagem de Primário ao Secundário – Referência estritamente secundária na religião d’OFILHO – Pensamento cristão como exemplaridade de referência secundária – Pensamento gnóstico indica passagem de Secundário para Originário: religião d’OESPÍRITO – Referência ao Originário permite vigência do Vínculo Absoluto na religião do AMÉM –  Entendimento do processo de Cura e de anamnese como comparecimento de referência ao Originário.

5 – 12 Mai: Os Cinco Impérios 
Equivalência entre ordem simbólica e amor na religião d’OFILHO – Comprometimento da psicanálise com o Terceiro Império – Crítica da redução lacaniana da transferência ao amor e à suposição de saber – Transferência é referência direta ao Vínculo Absoluto – Condição de Vínculo Absoluto é oposição externa entre Haver e não-Haver – Pensamento trágico é entendimento decadente da irreversibilidade.

6 – 26 Mai: As seis referências clínicas 
Apanhado dos aparelhos de base da atividade clínica – Primeira referência: ALEI Haver desejo de não-Haver – Segunda referência: três regimes de recalque (primário, secundário e originário) – Terceira referência: Cinco Impérios – Quarta referência: quatro sexos (consistente, inconsistente, insistente e desistente) – Quinta referência: nosologia (neurose, psicose e morfose) – Sexta referência: vetorização segundo eixos tópico, intensivo e liminar.                             

7 – 09 Jun: Os Impérios ainda 
Retomada das principais características dos Impérios – Heresia e gnosticismo são rompimentos em relação à referência paterna – Quinto Império como reconhecimento da hiperversidade d’ALEI – Razão comunicacional é razão sintomática – Possibilidade da instituição psicanalítica diante do problema da razão sintomática – Hiper-mestre se exercita na referência ao AMEM.

8 – 23 Jun: Um odor de pocilga 
Clínica Geral: intervenção nas questões do mundo com referência analítica – Denegação nos discursos contemporâneos – “Ética” é baseada em consensos sintomáticos como denegação da falta de fundamentos – Teorema psicanalítico pode estabelecer fundamento ético? – Fundamento místico da psicanálise é garantia de postura suspensiva – Postura suspensiva sustenta ética do bem-dizer – Problema da falta de fundamento ético na atualidade.

9 – 11 ago: O sujeito 
Retorno de Freud: inconsciente é da ordem do recalcado – Reelaboração do conceito de recalque: recalque primário, secundário e originário – Inconsciente em nível primário, secundário e originário – Inconsciente é o discurso do mesmo – Dimensionalidades do inconsciente – Inconsciente como superfície do plano projetivo.

10 – 25 ago: O inconsciente 
Problematização do conceito de sujeito – Estatuto do Eu (Ich) freudiano – Exame do cogito cartesiano – Sujeito é solução para movimento de dubitação – Sujeito transcendental de Kant – Deslocamento lacaniano do conceito de sujeito – Crítica ao conceito de sujeito como escolha em Badiou – Sujeito da Renúncia: dubitação e exasperação entre Haver e não-Haver.

11 – 08 set: O tempo
Sujeito da Renúncia é atingível no lugar com’Um – Função da análise é encaminhamento para lugar com’Um – Crítica ao conceito de tempo lógico – Ato analítico, indecidibilidade e decisão – Tempo da resistência em psicanálise – Lógica do ato em Lacan é lógica da Hiperdeterminação.

12 – 22 set:  A função curativa do trágico 
Trágico é o embate entre reversibilidade da mente e irreversibilidade das formações – Cura, progresso e heroísmo: suspensão de irreversibilidade – Essência do trágico é utopia como não-Haver – Proposição de relativismo absoluto – Possibilidade de hierarquia diante do relativismo absoluto.

13 – 06 out: Ética e verdade 
Insustentabilidade do relativismo contemporâneo – Hipocrisia filosófica oculta sustentação dos discursos – Verdade coincide com ALEI – Dimensão trágica da ética em psicanálise – Dissociação entre desejo e culpa – Ética da psicanálise coincide com sua operação e com sua verdade – Teatro pedagógico de Brecht: catarse diante do irreversível.

14 – 20 out: A bandeja do herói 
Biografia de Galileu como exemplaridade da pedagogia do herói – Definições de Ética, Herói e Trágico – Três Poléticas: 1) Revirão; 2) Indiferenciação; 3) Produção de Próteses – Polética da Bandeja e referência à hiperdeterminação – Crítica do lema ético “ama teu sintoma como a ti mesmo” – Singularidade do herói.

15 – 03 nov: As sombras são 
Crise do conhecimento – Maquiavel e a Clínica Geral: Virtude como força de enfrentamento da Fortuna – Vocação iluminista da psicanálise: CLEAN-ICS – Crítica ao conhecimento sustentado na relação sujeito/objeto – Teoria do conhecimento: mapeamento e agonística entre formações – Definição de gnomo – Hiperdeterminação e produção de conhecimento – Perguntas sobre prótese, sujeito da renúncia, criação e conhecimento.

16 – 17 nov: Nossas virtudes reais
Sentido de Clínica Geral – Eliminação de fronteiras entre campos discursivos – Clínica identifica pólos discursivos – Resumo dos principais pontos do seminário.



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