SEMINÁRIOS E FALATÓRIOS

"Psychopathia Sexualis"

Resumo

Local: Forum de Ciência e Cultura (UFRJ) e CFCH - Centro de Filosofia e Ciências Humanas (UFRJ)
Situação: Publicado pela Editora UFSM, 2000.

Este seminário se organiza em torno da proposição freudiana segundo a qual a sexualidade é nossa afetação primordial. Seu título retoma o da obra de Kraft-Ebing (1840-1902), equivocando a tese então defendida pelo psiquiatra austríaco de uma Patologia do Sexo, ao propor a tese da anfi-sexualidade, no sentido da disponibilidade do humano de freqüentar e manter como referência um lugar que se constitui como condição de possibilidade de toda e qualquer posição sexual. Lugar de experiência sexual de última instância que não é senão desejo de atingir o total apaziguamento de todas as afetações.

Haver desejo de não-Haver (A  Ã) é a fórmula dessa sexualidade genérica que está em consonância com a Pulsão de Morte ou Princípio de Nirvana freudianos, tendo se tornado o modo axiomático de se enunciar o fundamento pulsional do psiquismo, passando a eixo teórico-clínico da Nova Psicanálise.

O Seminário desenvolve quatro vias régias para uma aproximação desta experiência sexual fundamental: a via do Misticismo, chamada de erotismo do espírito; a via do Erotismopropriamente dito, chamada de mística do sexo corporal; a via da Matança e da Guerra, chamadaeroto-misticismo da impartição da morte; e a via da Arte, chamada eroto-místico-morticínio da criação do conhecimento.

Sumário

1 – 28 Mar: Introdução
O que é Psychopathia Sexualis – As quatro vias régias de aproximação do Cais Absoluto – As determinações da sexualidade de uma Idioformação – Toda manifestação de uma Idioformação é sexual – O paradigma da psicanálise é sexual – Esclarecimentos sobre o que é singularidade.

2 – 11 Abr: Psicopatia da normalidade
Pathos é afetação sexual – Os quatro sexos – Equivalência entre poder e gozo – Equivalência entre prazer e gozo – Categoria de normalidade não é psicanalítica – Crítica aos casos de normalização na psicanálise – Proposição da psicanálise como psiconomia

3 – 18 Abr: Afetação sexual
Exame da correlação entre desejo do analisa e perversão – Base perversa ou narcísica da afetação sexual – Razão perversa ou narcísica dos regimes de vinculação primário, secundário e originário – Distinção entre gozo e prova de gozo – Só há gozo COM’UM.

4 – 25 Abr: Dois mártires do erotismo
Teresa d’Ávila como caso de afetação sexual – Análise da tese de Georges Bataille sobre o erotismo – Posição da Nova Psicanálise: proibição não mensura afetação sexual; libertação como operação de revirão; não há retorno à animalidade – Equiparação do místico e do libertino.

5 – 09 Mai: A produção da soberania
Leitura comentada de Teresa d’Ávila – Estudo da soberania em Bataille – Psicanálise como perene produção de soberania.

6 – 23 Mai: A soberania da psicanálise
“Soberania da psicanálise devém de seu estatuto místico” – Entendimento do conhecimento como Gnômica – Gnoseologia da psicanálise – Campo psicanalítico se constitui a partir do Revirão como atrator – Revirão é tradução gnoseológica do conceito freudiano de pulsão.

7 – 30 Mai: Le frère hainé
Teoria dos Cinco Impérios como exemplo de Gnômica – Caminho do Primário ao Originário é esforço de ascese – Introdução à questão da Prajnâ-Pâramitâ do budismo zen.

8 – 13 Jun: A bunda do Buda
Leitura comentada de Essais sur le Boudhisme Zen, de D. T. Suzuki – Conhecimento segundo a Gnômica e as ciências cognitivas – Relação entre ciências cognitivas e budismo segundo proposta de Francisco Varela – Posição da Nova Psicanálise.

9 – 20 Jun: Relutâncias
Apresentação de Maria Luiza Kahl sobre a Gnômica – Intervenções de MD Magno.

10 – 27 Jun: O presente de uma desilusão
Recolocação do problema freudiano da religião como ilusão – Religião como vontade de iluminação – Entendimento do amor e do Nome do Pai como referências de vínculo – Vínculo Absoluto substitui amor como referência de vínculo – Arreligião.

11 – 15 Ago: A Hipótese Deus
Estrutura do psiquismo como Revirão impõe a hipótese Deus – Estatuto do Gnoma – Figurações do Gnoma – “Haver vel Gnoma” – Psicanálise é proposta moderna de ascese – Última instância da sexualidade é sagrada – Distinções entre amor e indiferenciação como referências de vínculo.

12 – 22 Ago: O neutro e a maranha
Neutro e maranha como duas experiências do aparelho psíquico – Conceituação do neutro – Maranha ou formações do Haver – Função de indiferenciação da Idioformação – Gnoma abole função sujeito-objeto – O neutro e suas resultantes protéticas e analíticas.

13 – 29 Ago: A maranha e o neutro
Desenvolvimento da tese sobre a Gnômica – Crítica às noções de sujeito, objeto, representação e interpretação – Formação triádica da Gnômica: significante / significado / gnomo – Gnômica e Clínica – Retomada da questão do Gnoma a partir de Mestre Eckhart.

14 – 05 Set: A clínica (entre a maranha e o neutro)
Gnômica e diagnose – Três exercícios clínicos: redução de formações a formações constituintes; entendimento da composição das formações; consideração das formações como multiplicidade – Psicose, psicose-limite e hiper-recalque – Dois vetores da angústia: angústia de morte e angústia de vida.

15 – 12 Set: A monstruosa progressão
Vetores da situação patológica do indivíduo – Modos de operação com a resistência – Exigência de consideração das condições iniciais das formações – Relação entre exasperação sexual de última instância e exasperação modal – Conjetura de sadismo originário – Sado/masoquismo como processo de reviramento – Ambiguidade mórfica dos enunciados legais – Processo de cura é progressivo – Insuficiência dos saberes atuais para determinar as condições iniciais – A Nova Psicanálise preconiza o recurso ao Originário – Condições de toda legiferação são as mesmas que as de uma morfose – Libertino é outra face do místico – Questões sobre a temporalidade das condições iniciais. 

16 – 19 Set: A progressão monstruosa
Dois processos de indiferenciação: místico e libertino – Libertino indiferencia por redução – Místico indiferencia por renúncia em prol do erotismo do Gnoma – Neurose, morfose e psicose estão no regime de progressão do vetor ;

17 – 10 Out: S/M: Revirão
Análise/exame do livro de Deleuze – Cumprimento d’Alei resulta em postura masoquista – Conjetura de não-Haver resulta em postura sádica – Indicernibilidade entre sadismo e maoquismo originários – No Revirão, sadismo e masoquismo são avessos um do outro (alelos) – sadismo e masoquismo são originalmente fundações mórficas – Distinção possível: Posição passiva do masoquista e posição ativa do sádico – Perversidade social procura distinções reais.

18 – 17 Out: Para que serve um sujeito?
(Conferência de Marcio Tavares d’Amaral);

19 – 07 e 14 Nov: A ciência de Sade
Sade a partir dos teoremas da Nova Psicanálise – Postura de Sade é de cientista – Erro de Sade: agir na HD – Aproximação entre a via mística e a via libertina – Exame da abordagem de Bataille sobre Sade – Laboratório de Sade e a função da apatia;

20 – 28 Nov: Gil e Jane
Postura de auto-referência em Jane e Gil (sem referência a HD): psicose e morfose ;

21 – 24 Out: Introdução à Transformática
Proposição da Transformática: modo de operação da Gnômica – Transas entre formações – Exemplo de Barbara McClintock – Transformática é informática afetada pela Hiperdeterminação – Distinção entre criaçãoe criatividade - Idioformação: formação afetada de hiperdeterminação – Crítica à idéia de sujeito – Efeito de gnoma – Agente, eventural/postura eventural – Ética da Hiperdeterminação – Redefinição do virtual. – Política

22 – 31 Out: A Transformática em ação
Gnosticismo radical da Nova Psicanálise - Homogeneidade do campo do Haver e suas conseqüências para a psicanálise pregressa e para outros conhecimentos - Abrangência da Transformática na consideração das formações do Haver – Nova Psicanálise possibilita articulação abstrata e interface/entendimento simples - Distinção sobredertminação e Hiperdeterminação é suficiente para mapear as determinações - Crítica à categoria de Outro e à neutralidade do analista - Disseminação da psicanálise é sua eficácia - Dispositivos de cura - Questões sobre criação e criatividade, Não hierarquização dos campos, formação do analista.

23 – À guisa de conclusão
Destaque dos principais pontos do Seminário.



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