SEMINÁRIOS E FALATÓRIOS

Pleroma

Resumo

Tratado de Deus e de seus Anjos

Local: Sede do CFRJ (Leblon)
Situação: Publicado em O Sexo dos Anjos: a Sexualidade Humana em Psicanálise, Aoutra Editora, RJ, 1988. Este volume inclui Maravalhas, ‘fragmentos de um fazer’, escritas em 1987.

Resumo

O Pleroma pode ser entendido como uma Teologia Libidinal, uma Cosmologia Libidinal ou Meta-Filosofia visando à produção de uma Erótica e de uma Estética centradas na Ética do Impossível e de uma prática que se define como Clínica Geral do mal-estar do homem ou da cultura.

Não deixando de ser uma Teologia Libidinal, onde um único Deus vel Natura intercede com a realidade possível da physis, ou uma Cosmologia Libidinal, onde o que quer que haja se rege em conformidade com esse Um único que há mediante os seus avatares, a teoria geral do Pleroma postula que o Homem é um ser adâmico, constituído à imagem e semelhança de Deus, analogia que se refere à estrutura de seu psiquismo.

O Pleroma - representado pelo Esquema Delta - é a construção de um aparelho geral de organização da teoria da psicanálise que toma a Pulsão de Morte, de Freud, como o único conceito fundamental da psicanálise, o qual rege tanto o psiquismo humano, o Cérebro do Anjo, quanto o Haver, o conjunto aberto do que quer que haja. Tomá-la como único conceito fundamental é afirmar que a essencialidade do desejo é não desejar, atingir a Paz absoluta, o gozo absoluto, a Morte. Ou seja, o empuxo do movimento libidinal é no sentido de sua própria anulação. Dada a impossibilidade de fato de atingimento desse zeramento absoluto, o movimento pulsional revira sobre si mesmo e repõe o movimento do desejo como motu perpetuo, requerendo de direito o não-Haver que não há. A Morte desejada como não-Haver não se confunde com o perecimento dos corpos, pois se refere a um cessamento do movimento desejante que de fato se extinguiria por completo se Morte houvesse.

Em contraposição ao estatuto do significante e do sujeito do projeto lacaniano (com sua primazia do registro simbólico e do inconsciente estruturado como uma linguagem), postula-se o significante em sua plenitude como um Halo e suas duas faces, ou dois alelos, mais o terceiro, neutro e bífido, lugar da potência do puro sentido do pulsional para além das diferenças opositivas, que possibilita a indiferenciação e a reversão dos alelos do Halo significante. O Revirão é, então, a afirmação de que, para o Homem, o que quer que se ponha tem em algum lugar o seu avesso, exigindo a consideração desse terceiro que rege as séries binárias. Ele é o ponto de reviramento, de neutralidade absoluta face aos sentidos fixados alelicamente, aleijados ou hemiplégicos em relação à plenitude fálica do empuxo libidinal.

Redimensionam-se os registros de Real, Simbólico e Imaginário, considerando-os em seu vigor Primordial. Assim, o Real Primordial é o próprio ponto de Revirão, ainda chamado de Furo, o umbigo do Haver, limite do movimento pulsional em seu empuxo para o não-Haver (Ã). O Simbólico Primordial se apresenta como estado de cisão (A barrado) e de surgimento da Diferença no seio de um estado do Haver. E o Imaginário Primordial se dá como estado de neutralização (A), aparecimento da Indiferença no seio de um estado do Haver.

Propõe-se, então, de forma original, entre os três estados - Real, Simbólico e Imaginário -, três expedientes de gozo: o Gozo-Fálico, o Gozo-do-Outro e o Gozo-do-Sentido. Assim, além da proposta lacaniana (Gozo-Fálico e Gozo-do-Outro), postula-se uma terceira modalidade além da oscilação entre Consistência e Inconsistência. Se o Gozo-Fálico é no sentido do possível e o Gozo-do-Outro é impossível, o Gozo-do-Sentido é dentro do possível, no jogo maneiro e artificioso do Falanjo em sua agonística com as formações do Haver em disponibilidade.

A teoria geral do Pleroma estabelece as bases teóricas da Nova Psicanálise.

Aristides Alonso


Sumário

Pleroma: Tratado de Deus e de seus Anjos

Introdução 

Objetivos, hipótese e postulado da Teoria do Pleroma.

1 – Motu perpetuo: 1. Há Um – 2. A-Delta (Plenitude) – 3. Estados de A-Delta – 4. Estado neutro de A-Delta: A – 5. Simetria de A – 6. Dissimetria primordial entre A e à – 7. Diferença irredutível entre A e à – 8. à não-Há – 9. Para A, à é impossível (pois não-Há) – 10. A deseja à (não-Haver) – 11. Neutralidade é desejante – 12. Motu perpetuo: Haver é desejar o impossível não-Haver – 13. Não há falta no Haver – 14. Desejo de não-Haver é Castração Primordial – 15. Castração primordial se impõe por dissimetria entre A e à – 16. Simetria como Catoptria radical – 17. Dissimetria de fato: à não há; simetria de direito: A deseja não-haver – 18. Haver é inocente de fato e de direito – 19. Haver é castrado – 20.  Dissimetria externa, simetria interna – 21. Haver é simétrico (no tempo) – 22.  Só há dissimetria externa e parciária – 23. Desejo de não-Haver é Pulsão de Morte – 24. Haver é imortal e eterno – 25. Haver é constante – 26. Haver é Um – 27. Movimento desejante tende para não-Haver – 28. Haver jamais encontra não-Haver e revira – 29. Furo primordial entre Haver e sua parciarização () – 30.  Simetria homogênea do Haver busca simetria heterogênea em não-Haver – 31. Simetria heterogênea interna (entre A e ) é diferença – 32/33. Empuxo de Haver para sua parciarização () gera complexidade – 34. Empuxo para não-Haver tende a neutralizar  – 35. Mediante A,  deseja à – 36/37/38/39. Esquema Delta: percurso do Pleroma.

2 – R S I: 40. R S I em seu vigor primordial – 41. Três estados primordiais no Esquema Delta – 42. R S I como avatares de A – 43/44. Real primordial é o Furo – 45. Real é ponto-bífido de A – 46. Revirão primordial – 47. Simbólico Primordial é diferença () – 48. Diferença de  repete a diferença entre A e  – 49. Real é Terceiro – 50. Não-Haver há de direito e não de fato – 51. Imaginário primordial é indiferença (no seio de um estado de A) – 52. Entropia como eliminação de diferença (interna) em A – 53. R S I no Esquema Delta – 54. Real como comutador e barra – 55. Há nodulação sincrônica de R S I no Esquema Delta – 56/57. Movimento em Revirão no Esquema Delta – 58. Heterogeneidade e homogeneidade de R S I – 59. Revirão é função catóptrica – 60.    Matéria é substancialidade do que Há e Libido empuxo para não-Haver – 61. Pulsão de Morte é conjugação de matéria e libido.
             
3 – O gozo que há: 62. Gozo do A – 63. Movimento desejante do Haver é cíclico – 64. Inércia e empuxo entre I e R – 65. Empuxo de R – 66. Força diferenciante entre R e S – 67. Entropia e neguentropia entre R e I – 68. Heterogeneidade e homogeneidade do gozo – 69. Há três gozos em A – 70. Gozo-Fálico – 71. Gozo-do-Outro – 72. Gozo-do-Sentido – 73. Duas vertentes do Gozo-do-Sentido – 74. Diferenciação e neutralização no Gozo-do-Sentido – 75. Espaço e tempo como procrastinação de A.
            
4 – O campo do Sentido: 76. Campo do Gozo-do-Sentido – 77. Modalizações no Campo do Sentido a partir da cisão (Spaltung) – 78. Aparência binária da cisão operada pelo Terceiro – 79. Razão ternária opera o Campo do Sentido – 80. Oposição e ternariedade – 81. Tripartição da cisão: , A e F ou R S I – 82/83. Entropia e neguentropia como efeitos do Real ou Bifididade no Campo do Sentido – 84. Postulação do terceiro no Esquema Delta na forma do oito-interior do Revirão – 85/86. Ocidente escamoteia o terceiro como mero intervalo – 87. Zero como Função Catóptrica – 88. Valor de insistência do Real na totalidade do campo – 89/90. Condição de modalização no Campo do Sentido – 91. Lei da diferença nas modalizações do Campo – 92. Dissimetria em A – 93/94. Generalização da função catóptrica redefine o conceito de simetria – 95. Música do Campo do Sentido.

Pleromaquia

1 – 02 Out: Nobodaddy
Estatuto da impossibilidade de Não-Haver – Repetição de terceiro no Campo do Sentido: surgimento do ser humano – Maneirismo e sua relação com a posição Angélica – Vertente mística da posição Angélica.

2 – 16 Out: Sujeito espesso
Terceiro sexo (Anjo) é referência constante do falante – Função fálica é movimento desejante – Reavaliação da categoria de Sujeito a partir de R S I – Esquema de triangulação dos Estados, Expedientes, Gradientes e Parlentes do Sujeito.  

3 – 06 Nov: Solércia
Ordem pulsional do sentido olfativo – Gráfico projetivo do Esquema de triangulação do Sujeito – Movimento artificioso do Haver – Arte do sujeito (criação de objeto a) repete a artificialidade do Haver.

4 – 13 Nov: O hexaedro
Descrição e álgebra do hexaedro do Haver – Questão da passagem do não-falante ao falante – Cibernética e informatização indicam esgotamento do Ocidente – Artifício é superior à cultura – Exigência de reconsideração do quantitativo na psicanálise – Função egóica é produção – Falante como fabricação de sentido e animal como sentido dado.

5 – 27 Nov: Lilith
Leitura do mito de Lilith como N ão-Haver – Mito de Adão e Eva como surgimento do Angélico – Possibilidade de formulação lógica do lugar terceiro do Falanjo e da Morte – Terceiro Sexo é descarnado – Erotismo e a castidade na sexualidade – Tecnologia e artificialismo resultam da sexualidade do falante – N’O descanso no Egito, de Caravaggio, estão representados os Três Sexos do Pleroma.



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