SEMINÁRIOS E FALATÓRIOS

Pedagogia Freudiana

Resumo

Local: Auditório do CFCH - Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFRJ
Situação: Publicado pela Imago Editora, RJ, 1993. Inclui os Anexos: Teorema do Sexo Pasolini; Sobre a Verdade; e Comentários.

Resumo

Neste Seminário concentram-se numerosas questões e reformulações conceituais da maior importância para a Nova Psicanálise. Retoma-se o conceito freudiano de Recalque para pensar uma tópica, uma dinâmica e uma economia de seu modo de operação considerado dentro da teoria geral do Pleroma e das postulações da Pulsão de Morte e do Revirão. A tópica do recalque é articulada em três níveis: Recalque Originário, Recalque Primário e Recalque Secundário, todos submetidos ao processo de reviramento decorrente da ALEI fundamental, A Ã, e seu processo de catoptria e fractalização por impossibilidade de simetria absoluta.

O Recalque Originário é a referência pura e simples ao fato inarredável da ALEI: A Ã. O Recalque Primário se dá pela quebra de simetria e pelo aparecimento da diferença no seio do que Há. São as formações do Haver fazendo coagulações e resistência. O Recalque Secundário funciona como imitação (mimesis) de determinada formação do Haver, como fingimento de que uma formação do Haver é natural, é dada no regime Primário. Ou seja, chama-se de proibido o que imita o Impossível. Isto porque a única formação que não permite reviramento no Secundário é a polícia (entendida em sentido genérico).

A distinção entre Fixação e Recalque é decisiva para a Nova Psicanálise, pois, por um lado, possibilita nova abordagem da grande confusão em torno do que se convencionou chamar de perversão; e, por outro, a partir das fixações no nível Primário (as fundações mórficas), possibilita pensar a operação do Recalque como havendo um recalcante e um recalcado na pressão dos vetores em seu jogo de forças. Nessa agonística, que não encontra nenhuma síntese do seu embate, destacam-se três eixos de vetorização: Tópico, Liminar e Intensivo, cada um deles como modulações da resistência em suas vicissitudes. O eixo Tópico está na passagem de Primário para Secundário, de nível para nível; no eixo Liminar, é o que há entre Haver e não-Haver e entre Ser e Haver, que já é uma distinção interna ao Haver em sua multiplicidade; e o eixo Intensivo, que é o vetor da quantidade das forças investidas no processo.

Continuando o movimento de reinvenção conceitual das bases da psicanálise, faz-se a crítica do conceito lacaniano de Nome do Pai e de suas declinações. Demonstra-se que o destacamento feito por Lacan aponta para o fato de que no campo do Outro há Lei e há possibilidade de nomear de algum modo o indiscernível dessa situação inarredável.

Partindo dessas reformulações de base, que se alastram por todo o campo conceitual da Nova Psicanálise, propõe-se o exercício (ascese) efetivo da Clínica Geral como Pedagogia Freudiana, aquela que diz respeito à singularidade, e que tem por referência o Cais Absoluto. Uma Pedagogia que trata das possibilidades de Evento na vida de cada um ao desatar a série dos nós constituídos pela massa dos recalques primários e secundários.

Trata-se, então, de uma Pedagogia do Revirão, ou Pedagogia do Falanjo, capaz de insistir na referência e na aproximação do Cais Absoluto: "o movimento de cura não é senão a aproximação da loucura fundamental e o aprendizado de dançar conforme essa música, sem grandes estragos de preferência".

Aristides Alonso


Sumário

1 – 19 Mar: Pedagogia, didática, educação 
Tectonia e atectonia da psicanálise – Três perspectivas em psicanálise: neurose (Freud), psicose (Lacan), morfose (MD Magno) – Prolegômenos à Pedagogia Freudiana – Distinção entre Pedagogia, Didática e Educação.

2 – 02 Abr: Aquela pedra no sapato de Freud – 1 
Determinação, simetria e reversibilidade segundo a tese do Pleroma – Entendimento do recalque a partir da quebra de simetria (Haver desejo de não-Haver) e do Revirão – Conceito de recalque depende do conceito de fixação – Tópica do recalque: Recalque Originário (ROr), Recalque Primário (R1Ar) e Recalque Secundário (R2Ar).

3 – 09 Abr: Aquela pedra no sapato de Freud – 2
Esquema da pedra angular do edifício da psicanálise – Crítica à idéia de rochedo da castração(Freud) e passe (Lacan) – Função fixante e recalcante das formações do Haver sobre o Revirão – Recalque originário freudiano como Recalque Primário – Ordem metafórica do Recalque Secundário – Aspecto protético e reificante do Secundário – Crítica à noção de falo e Nome do Pai.

4 – 16 Abr: Fixação e recalque
Positividade e negatividade das fixações e seu regime de revirão – Dinâmica das fundações mórficas como atratores do recalques secundários – Crítica a ‘perversão’ e ‘fobia’ como entendimento da dinâmica recalcante e recalcada das fixações – Apresentação geral de neurose, morfose e psicose em sua relação com o recalque.

5 – 24 Abr: Insistência, recalque e hiper-recalque
Marcel Duchamp e o retorno de Freud – Caráter estético e insistente das fixações – Inscrição da passagem de Primário (impossível modal) a Secundário (interdição) no Revirão – Dinâmica das fixações como forças recalcantes e recalcadas – Redução do Nome do Pai a processo de metáfora ou transporte do impossível ao proibido – Hipótese do hiper-recalque como terceiro grau de reificação.

6 – 30 Abr: Nominalismo legal (qu’est-ce qu’un père?)
Nome do Pai é um ready-made – Nominalismo legal: Nome do Pai como possibilidade dequalquer nomeação – Modernidade e pós-modernidade da psicanálise – Dinâmica do recalque na neurose e na psicose – Dupla hipótese de psicose a partir de hiper-recalque e excessiva suspensão.

7 – 07 Mai: Porém eventural
Tese do Pleroma é genérica – Reconsideração da noção freudiana de prova de realidade – Entendimento vetorial progressivo-regressivo de fixação e recalque – Dinâmica da insistência estética no vetor progressivo da morfose e da neurose – Dinâmica do hiper-recalque na vetorização regressiva da psicose.

8 – 14 Mai: Megalegoria e recalque
Dinâmica como resultante da energética geral do psiquismo – Vetorização como escrita mínima dessa energética – Proposição de novo eixo vetorial: tópico, liminar e intensivo – Vetorização liminar entre Ser e Haver – Aplicação do vetor liminar na neurose – Apresentação do eixo intensivo.

9 – 28 Mai: C7H17NO3
Relação entre sonho, fixação e conhecimento – Desenvolvimento da noção de graus de reificação: analogia, metáfora e hipóstase – Retomada dos eixos de vetorização do recalque – Vicissitudes do recalque na neurose, morfose e psicose.

10 – 25 Jun: Humana Sexo-Hação
Apresentação das fórmulas quânticas da sexuação em Lacan – Sobre o Quarto Sexo (sexo desistente) e Terceiro Sexo (sexo resistente) – Posição hierarquicamente superior do sexo resistente – Reconsideração da escrita lacaniana: sexo consistente (‘homem’) e inconsistente (‘mulher’) como modalizações do sexo resistente – Lugar da diferença sexual – Estatuto da desistência, resistência, consistência e inconsistência – Um (gozo consistente), Múltiplo (gozo inconsistente) e Genérico (gozo resistente) – Identidade sexual: múltipla, fractal e subdita ao processo de revirão.

11 – 20 Ago: ...etc.
Recaptulação dos temas tratados no Seminário – Lançamento do ...etc – Núcleo de Estudos Transdisciplinares da Comunicação – Postura da psicanálise como referencial de abordagem da filosofia, epistemologia e ciência – Vetorização do recalque na neurose, morfose, psicose e tanatose.

12 – 03 Set: EU (e outras poesias)
Sobre a noção de prótese na Nova Psicanálise – Inscrição de Eu no Revirão – Função shifter é assujeitamento às funções protéticas da língua – S (A) barrado como última instância de Sujeito em Lacan – Pedagogia do Sujeito como processo de aproximação do Cais Absoluto.

13 – 17 set: Mais além do som e da fúria
Obra de Marcel Duchamp resulta no conceito de Revirão – Comentário sobre o L’“Il y a”, de Emmanuel Lévinas – Deserto como Cais Absoluto – Função hiper-recalcante do Haver – Morfose-limite, neurose-limite e psicose-limite – Como situar a loucura originária.

14 – 01 out: A morte não é havida
Inscrição de das Ding e Falo n’ALEI Haver desejo de não-Haver – Condição lógica da existência em Aristóteles, Lacan e na Nova Psicanálise – Negação da função fálica em sua relação com o Haver como UM e como fractalização – Singularidade sexual é condição de polaridade sexual – Consistência e inconsistência como polaridades sexuais.

15 – 15 out: A morte não é havida – 2
Comentários sobre o mazombismo brasileiro – Entendimento da fantasia em Lacan como declinação da fantasia primordial (Haver desejo de não-Haver) – Posição sexual como resultante de processsos recalcantes neo-etológicos e mórficos – Questões sobre o Seminário Encore, de Lacan – Vontade de poder em Nietzsche é percurso de volta do Cais Absoluto – Para Nova Psicanálise “desejo é necessariamente de impossível”.

16 – 29 out: Sorvete com Nirvana
Fundamento místico da psicanálise está indicado na experiência de Haver com’Um – Vínculo Absoluto reestatui possibilidade de vínculo – Nova Psicanálise como mistagogia e maiêutica – “A psicanálise não é um ceticismo” – Vínculo Absoluto como condição de simpatia e de reconhecimento de diferença – Esclarecimento do fundamento ‘místico’ da psicanálise.

17 – 12 nov: “Pai, não vês que estou quem manda?”
O que pode ser um sonho de despertar – Passagem de vigília a sono e de sono à vigília – Reconsideração de amor, hipnose e sugestão a partir do conceito de transferência – Dois extremos da transferência: predisposições etológicas (analisáveis) e Vínculo Absoluto (incompreensível) – Questionamento do caráter necessariamente alienante da transferência e da hipnose.

Anexos: Teorema do Sexo Pasolini – Sobre a verdade - Comentários



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