SEMINÁRIOS E FALATÓRIOS

Os Quatro Conceitos Fundamentais da Psicanálise

Resumo

O Retorno de Freud, via Lacan

Local: Sede do CFRJ
Situação: Publicado em O Sexo dos Anjos: a Sexualidade Humana em Psicanálise, Aoutra Editora, RJ, 1988. Este volume inclui Maravalhas, ‘fragmentos de um fazer’, escritas em 1987.

Resumo

"Retorno de Freud" na continuação de seu esforço de destacamento de um campo objetivável do ser-humano, o Campo do Sentido, mas segundo um racionalismo novo, uma nova razão, sustentadora de uma nova antropologia, que desloca o Homem do centro do Universo para referi-lo a uma LEI que de muito o ultrapassa e que o qualifica como Súdito da Razão mesma de sua própria existência. Isto porque, assim como o Haver, ele está subdito à Causa inarredável e é movido pelo empuxo irreprimível de um desejo, desmedido e desbordante, causado pela Coisa (das Ding). A Razão Freudiana está centrada no Mais Além do Princípio do Prazer, de 1920, onde Freud introduz a Pulsão de Morte, a qual vem a se tornar fundamento lógico, necessidade estrutural, sustentadora da composição geral do processo analítico. Diferentemente do retorno a Freud, de Lacan, visa-se fazer Freud retornar sobre seus próprios passos, e sobre os nossos também, reconsiderando-os com referência à sua descoberta essencial do Mais Além. Trata-se, pois, do retorno do sintoma de Freud.

A partir dessas bases, os quatro conceitos que Lacan considerou como fundamentais da psicanálise - Pulsão, Repetição, Inconsciente e Transferência - são abordados e operados segundo a teoria do Pleroma. Esses quatro conceitos falam do mesmo aparelho estrutural, que é o Haver em sua constituição tal como foi sistematizada no Seminário do ano anterior. A tentativa é de unificar todos os conceitos num só, o de Desejo (de Morte). Uma vez que libido é o que Freud chama de konstante Kraft, ela será tomada como o movimento causado pelo não-Haver, e a Pulsão como seu modo de reviramento, isto é, o périplo da libido tentando atingir o alvo (que é o retorno ao seu ponto de partida). A Repetição é um conceito inscrito no Esquema que representa o Pleroma, o Esquema Delta (1986), que é um aparelho de Repetição, um autômato. O conceito de Repetição é o eterno retorno do movimento da Pulsão. É o aparelho automático que recorre sobre si mesmo sempre esbarrando no Impossível.

O Inconsciente é tomado enquanto estruturado como A Linguagem, que é a operação que o Haver pode fazer na sua impossibilidade de se operar em não-Haver. São as formações do ICS, operadas mediante o processo metaforonímico, que proliferam o ICS como não-realizado, sujeito ao só-depois de suas próprias seriações e operando no sentido de lembrar o recalcado, que, este, retorna sempre ao mesmo lugar (o Furo) como o Real da impossibilidade de o Haver incorporar a falta enquanto objeto. Na abordagem da Transferência, retoma-se o exemplo utilizado por Lacan d’O Banquete, de Platão. No Esquema Delta, a transferência se garante dentro do movimento desejante - o qual é a própria estrutura da Pulsão - como um certo Sujeito adscritível ao Haver, o qual é o suporte fundamental da Transferência: o Sujeito-Suposto-Saber, que, como Lacan indicou, é o próprio Deus. Então, qualquer transferência se suporta, em sua aparência imediata de amor, na necessidade fundamental do sujeito falante em fazer a suposição de um Sujeito radicalmente Outro, que é suposto saber o que se passa na região do sujeito menor que somos nós. Ele é a divindade que abrange o Haver, é o suporte das transferências locais.

Trata-se também, entre outras, das questões da hipnose, retomada nos Seminários de 1992 e 1993; do Pai, do Filho e do Espírito Santo, incluídas nos Cinco Impérios apresentados no Seminário de 1994; e do Moderno e do Pós-Moderno, trabalhadas especialmente no Seminário de 1995.

Potiguara Mendes Silveira Junior


Sumário

O Sexo dos Anjos: A Sexualidade Humana em Psicanálise 

Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise, ainda
– O Retorno de Freud, via Lacan–

1 – 23 Mar: A Deus
Razão Freudiana como angélica, plerômica e maneira – Insistência no retorno de Freud.

2 – 26 Mar: O tesão pelo imundo
Pulsão no Esquema Delta – Homologia estrutural entre Haver e Falante no Revirão – “A morte é impossível” – Santidade como aproximação do imundo – Exigência de generalização do conceito de Pulsão – Mística revela o lugar de diferença absoluta entre Haver e Não-Haver – Desejo plerômico do Homem – Analista é re-petição de ultrapassar o passe.

3 – 30 Abr: Repetição
Esquema Delta é um aparelho de Repetição – Relação entre os conceitos de Pulsão e Repetição – Desejo de Morte como conceito fundamental e unificador dos quatro conceitos (repetição, pulsão, transferência e inconsciente) – Trauma e despertar – Psicanálise é Arreligião da Lei – Notas sobre a psicose a partir do Esquema Delta – Psicanálise como Monoteísmo Ateísta.

4 – 28 Mai: O ICS: An Affair to Remember
Deus ou Inconsciente é interseção entre Haver e Não-Haver – Inconsciente estruturado como A Linguagem – Sincronia e diacronia no Inconsciente – Compleição do Inconsciente é pura fantasia – Entendimento da relação entre Inconsciente e História – Ascese no Falante produz progresso.

5 – 25 Jun: Transferência
Comentário sobre o conceito de transferência em Lacan – Interpretar a transferência é apontar o desejo imortal – Transferência a partir do Esquema Delta – Discussão sobre o signo – Função catóptrica é máquina de transferência – Reviramento do signo faz surgir ordem significante – Análise é exercício de reviramento – Terceiro sexo sustenta regime transferencial no falante.



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