SEMINÁRIOS E FALATÓRIOS

Arte e Psicanálise

Resumo

Local: Forum de Ciência e Cultura (UFRJ)
Situação: Publicado pela NovaMente Editora 2000.

Neste livro, que transcreve seu seminário de 1995, MD Magno retoma a questão da Arte como possibilidade de pensar qualquer produção, inclusive de conhecimento, sob a égide do termo ART. É o puro e simples proceso de ARTiculação que se generaliza ampliando a conceituação daArte para todo processo de Criação (do homem e do cosmos).

Assim, a Est’Ética da Psicanálise nãoopõe razão a sensibilidade, mas, ao contrário, busca fundar um racionalismo radical porque estético. Esta é a perspectiva que resulta do exercício da CLÍNICA psicanalítica definida pelo autor como “aparelho de simulação de suspensão de recalques” – o que desloca a psicanálise do âmbito das concepções obsoletas que têm atravancado seu desenvolvimento e a relança atuante como prática de intervenção curativa segundo modelos construídos a partir de seu laboratório próprio.

É também neste livro que o autor introduz o conceito de IdioFormação, que, para além das noções de sujeito ou subjetividade (importadas da filosofia), descreve o humano em sua vocação pulsional de incessantemente desejar o que não há. Como é este Desejo que HipoerDeterminasuas ações, o humano perde sua centralidade psicológica no cosmos e é considerado apenas um caso de IdioFormação – o que abre para desenvolvimentos mais precisos sobre suas ações e afetações (pathos). São desenvolvimentos necessários quando o ‘pós-humano’, ‘pós-orgânico’ e ‘transhumano’ já se tornaram noções correntes.

Portanto, além de percorrer avanços e reflexões originais sobre temas iportantes – o Belo, o sublime, o Mal, a Obra de Arte, a emergência de uma Nova Razão –, temos a oportunidade de acompanhar maisum passo da reformatação do aparelho teórico-clínico da psicanálise que MD Magno vem realizando desde os anos 1980. Sua precisão e pontualidade estão em colocá-lo à frente das transformações mentais e culturais que hoje vivemos.

Sumário

1 – 9 Mar: Problemas básicos
Insistência na arte se deve à sua exemplaridade – Uso amplo do radical ART – Equivalência entre estética e clínica: Clínica Geral – Três problemas fundamentais da estética: irracionalidade do belo; condições de produção de uma estética; obra de arte como comunicação – Considerações a respeito do consenso.

2 – 23 Mar: Gosto não se discute
Exame histórico da estética – Nietzsche como base da vanguarda estética: relativismo radical e realismo radical – Problema da vanguarda na estética pós-moderna – Antinomias do gosto – Condições para juízo do gosto.

3 – 6 Abr: Análogo do Haver
Recolocação da noção de analogon racionis – Proposição do conceito de formações do Haver – Eliminação da oposição entre ciência e arte, sensível e inteligível – Hegemonia da estética como racionalismo radical – Razão Plerológica – Processo de cura.

4 – 4 Mai: Belo, bom e barato
Homogeneidade entre sensível e inteligível elimina irracionalidade – Coincidência entre supremo bem e supremo mal – Sentido estético do conceito de fixação – Vínculo absoluto indiferencia formações de gosto – Indiferenciação entre bem e mal elimina antinomia do gosto – Entendimento vetorial do belo e do sublime.

5 – 18 Mai: Chega de pós
Abordagem da questão cultural contemporânea via clínica da cultura – Organizações de base: Primário, Secundário e Originário – Cinco Impérios da performance cultural – Modernidade é tentativa de funcionamento de Quarto Império – Dificuldade de instalação da modernidade – Realização da modernidade depende da referência ao Quinto Império.

6 – 1 Jun: Extradição do incesto
Situação da pós-modernidade no creodo da cultura – Vetores regressivos e progressivos na cultura contemporânea – Conclusão do projeto moderno é superação da modernidade – Quinto Império é projeto maneiro – Teorias sobre incesto – Tese da interdição do incesto como processo de extradição – Continuidade entre maternagem e concubinagem na espécie humana – Interdição como produção neo-etológica de separação – Situação do incesto no seqüenciamento (creodo) dos Impérios – Função catalisadora do analista.

7 – 22 Jun: Os precursores do Amém
Momentos precursores do Quinto Império – Distinção operativa entre Modernismo e Modernidade – Cubismo: momento modernista – Marcel Duchamp como precursor do Quinto Império: articulações humanas são da ordem da arte – Stravinsky: momento modernista – Schoenberg como precursor do Quinto Império: explosão da ordem tonal – James Joyce como precursor do Quinto Império: explosão do literário – Bauhaus: momento modernista – Produção da moda: esforço de atectonia – Oscar Niemeyer: esforço de atectonia – Freud e Lacan: momento modernista.

8 – 10 Ago: A fundura do talho
Reconsideração dos conceitos de Eu e Sujeito – Comentário de L’Oeuvre Claire: Lacan, La science, La philosophie, de Jean-Claude Milner, como análise do fracasso teórico de Lacan – Postulação do Mestre Pró-Moderno e sua exemplaridade – Possibilidade de remanescência do ato de fundação de Lacan – Comentário sobre a tese de doutorado A interpretação do sonho de Freud, de Maria Luiza Kahl, como esclarecimento sobre a Nova Psicanálise –– Questões sobre a diferença entre mestre antigo e mestre moderno; o fracasso da idéia moderna de transmissão; o mestre pró-moderno e a função do artista.

9 – 24 Ago: Solércia
Solércia: pensar a partir do radical ART – Possibilidade de ato poético – Proposição da tese do Gnoma – “O que quer que se diga é da ordem do conhecimento” – Proposição da Gnômica e suas bases – Ato poético é condição de Gnômica – Exemplaridade do campo gnômico no Renascimento – Questões sobre a Gnômica.

10 – 14 Set: Gnômon
Função Gnômon é Parangolé – Conhecimento resulta da transa entre parangolés – Comentários sobre os livros Le cerveau a-t-il um sexe?, de Simon Le Vay, Sept Expériences qui peuvent changer le monde, de Rupert Sheldrake, L’Erreur de Descartes ou la raison des émotions, de Antonio Damásio – Inseparabilidade dos regimes do Primário, do Secundário e do Originário – Generalização do conceito de lesão como entendimento (gnômica) das inter-relações dos regimes primário, secundário e originário – Possibilidade de intervenção do Secundário no Primário – Caso da psicossomática – Vontade religiosa da ciência.

11 – 28 Set: Formações e interfaces
Interface como vinculação entre formações – Hipertexto como superfície plena (plerômica) de inscrição – Nova Psicanálise opera através de simulação dos vínculos primário, secundário e originário para indiferenciar – Outros comentários sobre as noções de hipertexto e hipermídia – Gnoma elimina a noção de sujeito – Emergência do Renascimento Maneirista no contemporâneo – Questões sobre simulação.

12 – 26 Out: “Os adeus não acreditam em teus”
Crítica à noção de sujeito a partir do conceito de Gnoma – Conhecimento é sem sujeito e necessariamente verdadeiro – Suposição de dois níveis de verdade: verdade absoluta e verdade modal – Homogeneidade do Haver como condição de conhecimento.

13 – 02 Nov: ... Se... então... se...
Réquiem para Deleuze – Postulação do conceito de Idioformação – Condições de valoração e de resistência das Idioformações – Identidade e transação das Idioformações – Não há sujeito nem objeto: tudo é adjetivo – Segunda potência do binário como lógica mínima da Gnômica. 

14 – 23 Nov: Professias
Professia da Grande Reversão – Inconsciente para a Nova Psicanálise – Processos de recalque e desrecalcamento – “Gozo resulta de uma operação de Revirão” – Do gozo impossível aos gozos possíveis – Relação entre gozo e Gnoma – Possibilidade de gozo para Idioformação – Ética da hiperdeterminação é ética da gozação – Paradigma da psicanálise é sexual.



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