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Clavis Universalis: Da Cura em Psicanálise ou Revisão da Clínica

Resumo

Clavis Universalis é o nome com o qual ficou conhecida a tradição renascentista de busca de um saber universal que permitisse, mediante um conjunto de técnicas, apreender a trama da realidade para além das diferenças dos fenômenos. Abandonada depois do sucesso da ciência galileana e newtoniana, essa tradição tem sido silenciosamente renovada no pensamento contemporâneo, seja pelo entendimento genérico da noção de informação por via computacional, seja pelas novas tecnologias, que tornam esse entendimento patente.

A Nova Psicanálise vem evidenciar isso ao tomar o princípio da chave universal para situar a estrutura mínima de funcionamento inconsciente: o acolhimento indiferenciante de qualquer emergência sintomática, indiciado a partir da idéia de Revirão, máquina lógica que inscreve todosim e todo não como situações de alternância ou exclusão, em face da possibilidade de sua indiferenciação.

Portanto, a chave universal é o Revirão, que abre as fechaduras no interior das quais as diferenças resistem, e fornece o código de acesso ao modo próprio de operação da psicanálise.

São consideráveis as conseqüências dessa postura para pensarmos a natureza do conhecimento, seu estatuto e condições de possibilidade. É o que este livro explora em, pelo menos, duas frentes. De um lado, num ato de apropriação de inspiração duchampiana, afirma que a psicanálise é Arché de toda e qualquer técnica terapêutica, ou seja, que a referência à vontade analítica de indiferenciação reduz as ditas terapias a meras técnicas eventualmente úteis, dependendo de cada caso. De outro, avança no desenvolvimento da Gnômica, teoria do conhecimento concebida pela Nova Psicanálise, através do conceito de Pessoa, tornado equivalente a Eu.

Está aí uma das contribuições mais inovadoras desta teoria: Eu = Pessoa é uma singularidade, isto é, “uma máquina de fazer infinitudes”, pois que a resultante que uma Pessoa é, a cada caso e a cada momento, só pode ser abordada como rede que se forma e deforma na razão direta da resistência das formações sintomáticas que são sua própria tessitura e, em última instância, determinadas pela chance de Revirão.

Concebida em rede, uma Pessoa se configura em pólos – seus aglomerados concentrados de resistência, com foco – sua força maior discernível e infinitizável – e franja – que não se sabe onde termina. Não existe centralidade num campo de forças assim pensado e, por isso mesmo, é possível afirmar “o mundo sou eu” – restando acompanhar e cuidar das amplitudes da Pessoa, considerada a possibilidade de sua abrangência por exercício de indiferenciação.

A análise é infinita. A Pessoa, um work in progress.


Sumário

1. 19/Mar
1 a 5
Atualidade da idéia renascentista de Chave Universal – Chave Universal da psicanálise é o Revirão – Revirão como operação de arrasamento da tabula – Equivalência Eu = Pessoa = Rede: implicações e abrangência.

2. 02/Abr
6 a 8
Diferença entre reflexão em psicanálise e meditação no Oriente – Reflexão é movimento de avessamento – Apropriação psicanalítica de qualquer instrumento de cura – Psicanálise é Archéque subsume as técnicas terapêuticas.

3. 16/Abr
9 a 13
Mitologia antropológica (parentesco) e psicanalitica (Édipo) do século XX – Comentário sobreMétamorphoses de la parenté, de Maurice Godelier – Interdição sexual que funda sociedade é ressonância de Quebra de Simetria – Comportamento sexual é função de prazer – Para o Inconsciente, dom, transmissão e troca são negociações – Proposição de hierarquia sexual.

4. 30/Abr
14 a 16
Psicanálise opera na via di porre e na via di levare – Apropriação psicanalítica da distinção foucaultiana entre escolha e ato sexual – Tecnologia como recurso para cuidado de si.

5. 14/Mai
17 a 20
Revirão como chave de entendimento da inseparabilidade entre evento e escolha – Separação é função de interesse sintomático ou de juízo foraclusivo.

6. 04/Jun
21 a 24
Consideração das formações primárias e secundárias como processo de colonização –Forma da colonização determina relação colonizador/colonizado – Re-entendimento da noção de conversão na psicanálise – 'Servidão voluntária' é alienação prazerosa – Inconsciente funciona como rede sem escala.

7. 25/Jun
25 a 28
Vitalidade da colonização dos três monoteísmos ocidentais – Autonomização dos saberes como processo de colonização do séc. XX – "Cura é produção permanente de uma formação militante" – Análise como dissolução dos pólos de uma rede sem escala.

8. 13/Ago
29 a 35
Triunfo do estacionamento – Constituição do Princípio de Alienação em Freud e Lacan – "Só faz psicanálise quem faz a psicanálise" – Inconsciente resulta de uma operação de exclusão – Alternância e exclusão são modos de utilização do não.

9. 20/Ago
36 a 41
O que são formações do Haver – Pessoa é IdioFormação do caso humano – Sujeito e objeto como sintomas do pensamento ocidental – Com-sideração das formações a partir de pólo, foco e franja – Crítica ao pensamento sistêmico (Bertalanffy, Luhmann, Maturana) – Considerações sobre o conatus espinosista – Toda transformação se produz mediante indiferenciação – Eu é polar, focal e franjal.

10. 27/Ago
42 a 47
Homogeneidade do Haver e resistência das formações – Equivalências e distinções entre Eu, Pessoa e IdioFormação – Alucinação e paranóia são ingredientes do conhecimento – O que quer que se diga é da ordem do conhecimento – Entendimento da Gnômica a partir da idéia de expressão – Proposição dos Estados Disseminais.

11. 03/Set
48 a 53
Entendimento de Pessoa a partir dos conceitos de pólo, foco, franja e fundo – Paradigma gnômico para o conhecimento: relação S/s/G – "As aparências não enganam, nós é que nos enganamos com a falta que elas fazem" – Anti-epistemologia do conhecimento: transa entre formações – Pessoa é uma formação utente.

12. 24/Set
54 a 57
Nova Psicanálise é teoria unificada da psicanálise – O problema da quarta dimensão em física e matemática – Hiperespaço e o problema da unificação das teorias – Postulado psicanalítico do HiperIcs em analogia com o hiperespaço da Física – Relação do sonho com o HiperIcs.

13. 01/Out
58 a 60
Comentários sobre Le livre noir de la psychanalyse – Relação entre autistas, místicos e gênios a partir do HiperIcs –  Postulado do HiperIcs integra conceito de Pessoa – Autismo se situa no regime da Tanatose – Vetor tanático é requisição de não-Haver – Implicações para a Gnômica da concepção do Inconsciente como HiperIcs e rede sem escala.

14. 22/Out
61 a 63
Outros comentários sobre Le livre noir de la psychanalyse – Vergonha e culpa como resultantes da Quebra de Simetria originária – Imputação decorre da aplicação dos sentimentos de culpa e vergonha a conteúdos.

15. 05/Nov
64 a 67
Pessoa é singularidade – Aplicação do conceito de limite à Pessoa – Análise visa infinitização do foco da Pessoa para abrangência plerômica – Indiferença: eqüiprobabilidade eventual e equivalência moral – Pessoas gramaticais dependem de conjetura do Mesmo – “O mundo sou eu”.

16. 12/Nov
68 a 69
Condições e abrangência do egoísmo – Possível diferença entre místicos e autistas.

17. 19/Nov  
70 a 72
Vigência da paranóia na psicanálise - Lacan x Deleuze - Vocação paranóide na produção das teorias - Construção teórica da Nova Psicanálise é melancólica

Anexos: Formação, Formatação...; HiperRecalque



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