SEMINÁRIOS E FALATÓRIOS

Ars Gaudendi: A Arte do Gozo

Resumo

Este livro, que transcreve o Falatório do autor realizado em 2003, apresenta a investigação do Inconsciente em sintonia com as emergências do ambiente sociotecnológico do século XXI. Por exemplo, com a idéia de informação algoritmicamente construída, segundo a qual nossas articulações biológicas, físicas, mentais, linguageiras, sociais, etc., têm equivalência em algum nível – o que possibilita a busca de termos de passagem entre realidades que antes pareciam incomensuráveis.

O leitor acompanha as proposições da psicanálise a esse respeito mediante a retomada da Res Gaudens ou Coisa Gozante, já proposta por Jacques Lacan, agora partindo da concepção de um campo homogêneo – o Haver –, onde toda informação extensiva ou pensante (a res extensa e ares cogitans oriundas da tradição filosófica) é tratada como articulação com possibilidade de permeio ou equivalência. Nesse esquema, a clausura que promove as diferenças é efeito sistêmico que caracteriza toda formação do Haver enquanto resistência à transformação.

Suspensa a clausura, o que se mostra é a mesma constituição de base para as formações, isto é, sua mesma substancialidade, a mesma coisa gozante que, em co-moção e trans-formação, costuma comparecer como extensionalidade e cogitação. Substância do Haver, a Res Gaudens é, portanto, o princípio de formulação das formações, isto é, princípio de informação.

Daí a afirmação: a psicanálise é a Arte do Gozo, sobretudo por ser a arte ou tecnologia que promove a MetaMorfose das formas de gozo, conduzindo-as à sua possibilidade de indiferenciação. Isso permite outra postura diante das chamadas patologias ou nosologias, social, jurídica ou medicamente recortadas. A resultante é uma Patemática da Psicanálise que, dispensando a casuística dos “transtornos” e “síndromes”, propõe o entendimento mínimo e abstrato das formações do psiquismo, levando em conta os aspectos quantitativo e intensivo dos investimentos, das forças e poderes em jogo, aglutinados em pólos, com focos e franjas.

Ars Gaudendi inclui ainda os Excertos da Oficina Clínica de MD Magno, que desdobram questões relativas à MetaMorfose dos vínculos, com destaque para o entendimento da ordem vinculatória da matéria viva, incluindo os fenômenos genéricos de hipnose e transferência. A psicanálise reafirma aí um lugar de Vínculo Absoluto para o homem, qualificado pela disponibilidade à vinculação e separação radicais. Um Idiota, portanto, a encenar, qual marionete, seus sintomas, exacerbado pelo trauma de Haver.


Sumário

1 – 12/Ago
Psicanálise como a mitologia do século XX – Contemporaneidade da psicanálise – Posições Ocidente e Oriente a partir da lógica do Revirão – A Res Gaudens da psicanálise – Res Gaudenscomo Princípio de (In)Formação – Res Gaudens como força pulsional.

2 – 26/Ago
Limites do conceito de estrutura no estruturalismo e no pós-estruturalismo – Experiência do Um e homogeneidade do Haver – O fundamento da estrutura é o excesso – Inconsciente é auto-referencial e recursivo – Indiferença é condição de emergência das diferenças – Haver é Linguagem – Possibilidades e limites da metalinguagem.

3 – 13/Set
Incompatibilidade entre psicanálise e ética pequeno-burguesa – Proposição da Patemática da Psicanálise – Psicanalista como formação e crítica da instituição psicanalítica – Quebra de sigilo entre pares é condição da análise da instituição – Inconsciente exige possibilidade de quebra de sigilo – Psicanálise não é profissão –  NOVAmente é school in progress.

4 – 27/Set
Positivização da Psicanálise – Formações patemáticas (patemas) x patologia - Distinção entre formações genéricas (patemas) e formações de conteúdo – Patemática trata das morfoses ou formas de gozo – Apresentação e discussão das quatro modalidades das morfoses: formações progressivas, estacionárias, regressivas e tanáticas.

5 – 11/Out
Revirão e neurociências – Vetorização na Patemática – Articulação dos Patemas com os sexos – Crítica à foraclusão do Nome do Pai – Voz média como exercício de indiferença na língua – Bipolaridade como expressão do Revirão – 'Qualquer morfose é satisfatória como gozo' – Incipiência da formação analítica.

6 – 25/Out
Comentário sobre a presença contemporânea do pensamento de Derrida – Triângulo de Culturas: Egito, Grécia e China – Proposição do Tetraedro Cultural: NovaMente, Grécia, China e Egito – Crítica à apropriação do pensamento freudiano por Derrida – Quadro comparativo Freud-Lacan-Derrida – Adendo: Resposta ao convite para participação nos Estados Gerais da Psicanálise (ago/01)

7 – 08/Nov
Psicanálise é o quarto lugar no Tetraedro das Razões – Clínica Geral é aplicação ad hoc de qualquer razão – Razão adjetiva da Nova Psicanálise – Expressão genérica da bipolaridade – Labilidade do recalque e seus efeitos nas morfoses – Amor é morfose.

8 – 22/Nov 
Trabalho do Inconsciente é sinergia das formações – Análise como permanente co-moção das formações – Postura do analista e consideração das questões contemporâneas: perversidade, humanidade, terrorismo, conhecimento, poder e mente.

Excertos da Oficina Clínica de MD Magno

MetaMorfoses: a Patemática da Psicanálise

1: 1 a 6
MetaMorfose: sentido metadiscursivo e metamorfótico das morfoses – I Ching (e outros textos fundamentais) como exemplaridade dos movimentos da mente – Comentário sobre A New Kind of Science, de Stephen Wolfram – Consideração da hipnose a partir dos processos vinculatórios da matéria viva – A função do 4 nos grupos de Formação Clínica.

2: 7 a 14
Considerações sobre autismo e hipnose – Expressão genérica da transferência no vivo – Processos etológicos e neo-etológicos de transferência – Questões sobre separação, alienação e sentido – Aproximação entre o Princípio de Equivalência (Stephen Wolfram) e a idéia de homogeneidade do Haver (MD Magno).

3: 15 a 22
Aproximação entre a NovaMente e a ontologia algorítmica de Wolfram – Crise dos fundamentos é relativização de seus poderes constituintes – Psicanálise privilegia constituição mínima das formações – Quarto Império e os movimentos de unilateralização no século XXI.

4: 23 a 27
Bandeja do Erói é postura do analista no mundo – Campo psicanalítico como emergência de uma polaridade – Emergência de pólos e produção de fronteiras como modelos de organização dos saberes – Instituição psicanalítica funciona como pólo analítico.

5: 28 a 34
Considerações sobre os acontecimentos progressivos e retrogressivos do mundo – Relação entre ART e produção da formação analista – Formação analista e análise infinita – "Função da instituição psicanalítica é zelar pela existência da formação analista" – Considerações sobre um novo regime de guerra para o século XXI.

6: 35 a 40
Século XX como momento de explosão do Terceiro Império – Lacan como pensamento terminal – Marcel Duchamp e o entendimento da ART – Anterioridade da fé sobre a razão.

7: 41 a 46
Consideração sobre a denegação e seus mecanismos – Entendimento do conceito de prótese – Expressão do sintoma maneiro no Brasil – Relações entre Maneirismo, Contra-Reforma, protestantismo e capitalismo.

8: 47 a 57
Crítica à noção de sujeito e sua relação com a transferência – Pensamento da tecnologia – Revirão é dupla charneira entre continuidade ou oposição alélica, e entre Oriente e Ocidente – Postura do analista é de radical indiferenciação.

9: 57 a 62
Sobre a noção de clínica – Análise é MetaMorfose – Rigor da postura analítica – Análise: nem via di porre nem via di levare, mas indiferenciação – Três abordagens da indiferenciação: Psicanálise, Ocidente e Oriente – Razões da proximidade entre a gnose e a Nova Psicanálise.

10: 63 a 67
Terceiro lugar da psicanálise – Condições de eficácia da psicanálise no século XXI.

11: 68 a 72 
Primado do Princípio de Catoptria – “O que quer que se diga é da ordem do conhecimento” – Distinção entre criatividade e criação – Considerações sobre prazer e gozo.

12: 73 a 79
Destituição das instâncias de poder do Terceiro Império – Entendimento vetorial das formações e suas resistência – Possibilidade de juízo no Quarto Império – Produção de culpa no Ocidente.



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